Pequena chama, ó Agni

CANDLE

Candle flame. Foto: Jon Sullivan.

 

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“O eu interior, não maior do que o tamanho do polegar de um homem …”

(Katha Upanishad)

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Pequena chama,

Ficas estável no nicho do peito, enquanto tudo tremula ao redor,

Queimas, mas não te consomes, suave ardor, lume sem mácula,

Carregas as mãos que te carregam, vida após vida, real protagonista.

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Pequena chama, ó Agni,

Ígnea presença, não maior do que o tamanho do polegar humano,

Mas ainda assim clarão, que dispersa as trevas e destaca o desígnio,

Oficiante do yajna, que lança no sacrifício as sementes e as sílabas.

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Pequena chama, pessoa ancestral,

Guardas a memória de grutas sombrias sob os altares das catedrais,

De veneráveis pinheiros que o vento que sopra do sul fez vergar,

De abismos de estrelas na imensidão das noites faiscantes.

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Pequena chama, obstinada presença,

Lamparina levada no rio que as ondas não apagam,

Voz tão mínima que as cacofonias do mundo não calam,

Pois és luz, e te curvas diante da luz, e fazes da luz ornamento.

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