Himalaia, 2018

HIMALAIA

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1. Montanhas

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Himalaia, Himalaia,

Estás onde pousam meus olhos:

Avos cobertos de neve,

Pais de pedra maciça,

Filhos qual arroios apressados.

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Nilakantan, Annapurna:

Teus montes são deuses, em guirlandas de névoa.

Mas a atarefada formiga que caminha ao meu lado

Será menos divina que teus cumes e vales?

E as vacas que pastam postas na paz do sem-tempo?

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Himalaia, Himalaia,

Presença além da palavra,

Majestosa vastidão.

Subi tuas encostas recitando mantras.

Trago-te agora no coração.

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2. Pessoas

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Se queres ver a Índia em uma concha,

Vai a Badrinath em Ganesha Chaturthi.

As águas quentes de Tapt Kund fervem de gente,

E sáris extravagantes lotam o terraço do templo.

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Todos querem prestar suas homenagens:

Sadhus de cabelos desgrenhados,

Pandits de barbas veneráveis,

Jovens de ubíquos celulares.

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Para chegar aqui, houve de cruzar desfiladeiros proibitivos.

E os olhos se deleitam, agora, com tantas fisionomias.

Mas, indiferentes ao vaivém agitado,

As vacas seguem comendo e cagando.

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A Índia se move, e tu te moves junto.

É tão fácil iniciar uma conversação.

Porque é Ganesha Chaturthi, há risos e música.

Se te chamas Ganapati, o que mais podes querer?

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3. Rios

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Para onde quer que meus olhos voem,

É a Ti que eles veem.

Onde quer que meu pensamento pouse,

É em Ti que ele repousa.

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Saraswati, Alaknanda:

As águas que nascem das geleiras

Se encontram em Mana.

E descem apressadas, aspirando pelo Ganges.

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Se não há nada fora de Ti,

E seu eu mesmo nada sou senão Tu,

Que encontre meu lugar em Teu fluir,

Onda no rio que a montanha derrama.

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