Dois pássaros

*

Que paixão sem pouso

quanta dor sem corte

delicado incêndio

fogo que não consome

*

Dois pássaros voam juntos

na imensidão sem pouso, sem borda

bordam espirais de puro azul

o sol recortado em suas asas

*

Como se buscam os dois amantes

como confundem seus vultos, suas voltas

semeando filigranas, arabescos

nos suspensos jardins do firmamento

*

Marinheiros sem porto

borboletas sem trégua

espelhos errantes

em busca da luz

*