Tirumular

Tirumular 2

Estatueta de ouro, representando o siddha (iogue perfeito) Tirumular.

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O Tirumandiram (literalmente, “Versos Sagrados”), escrito pelo siddha Tirumular em tâmil, provavelmente entre os séculos IV e VI d.C., é o texto mais antigo e mais importante de yoga do sul da Índia. É constituído por pouco mais de três mil estrofes de quatro versos, rimados e metrificados, que tratam de assuntos diversos, como teísmo monista, misticismo, yoga, tantra, mantra, yantra etc.

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Como outros textos atribuídos aos siddhas, o Tirumandiram foi escrito no que se convencionou chamar de “linguagem crepuscular”. Trata-se de uma linguagem deliberadamente obscura e cifrada, que necessita de certas chaves interpretativas para ser minimamente decifrada e compreendida.

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Tirumular chama seu ensinamento de Shiva Yoga. É o método pelo qual o Jiva (a Alma) se identifica com Shiva (a Realidade).

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Segundo as palavras do professor T.N. Ganapathy, coordenador da monumental tradução inglesa do Tirumandiram, “o Tirumandiram é uma obra que trata de como viver uma vida divina no meio da vida mundana; ele realiza o significado da palavra ‘tantra’, a ‘teia’ que une as dimensões espiritual e material da vida; e expressa o fio da unidade que existe por trás das muitas diferenças de tempo, lugar, idioma, casta, religião, superior e inferior, felicidade e miséria, riqueza e pobreza”.

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Tirumular é computado entre os 63 Nayanmars (Santos Shivaístas) e os 18 Siddhas (Iogues Perfeitos). Diz a tradição que, depois de ser iniciado no Monte Kailasa pelo próprio Shiva (manifesto na forma humana do Adi Yogi, o Iogue Primordial), ele teria viajado para o sul da Índia, onde viveu a experiência de transmigrar seus corpos sutis para o corpo físico de um tâmil morto. Em Chidambaram, alcançou o mais elevado estágio de Samadhi, com a transmutação alquímica do novo corpo e a conquista da imortalidade.

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Boganathar, o guru de Bábaji, afirmou que, em uma de suas muitas viagens físicas ou astrais, teve a oportunidade de contemplar Tirumular em Samadhi. E que não tinha palavras para descrever a glória de luz e fragrâncias que emanava de seu corpo.

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Nesta estrofe, Tirumular resumiu o objetivo do Tirumandiram:

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Eu celebro e exalto o refúgio que é gnose,

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Os pés salvíficos do Senhor, mestre de minha alma.

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Olhe e veja! Eu proclamo Shiva Yoga!

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E saúdo a Letra Singular do Nome do Senhor.

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Nota explicativa: a expressão “Letra Singular” refere-se à sílaba AUM, que se exterioriza como OM. AUM (o “Verbo Primordial” ou “Som Primordial”) é considerado a primeira manifestação substantiva de Deus. Não a “Voz de Deus”, como às vezes se diz. Mas o próprio Deus, manifestando-se como movimento, oscilação ou vibração, extrafísicos ou metafísicos. Também não o som, na acepção material da palavra. Mas o protossom, que, somente após muitas “veladuras”, poderá ser apreendido como som no plano sensível.

 

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