O caleidoscópio

kaleidoscope

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A Realidade apresenta-se como um caleidoscópio com uma quantidade incontável de espelhos. Gira sem parar e a cada giro produz uma nova figura.

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Cada ente é um conjunto único de figuras possíveis. E cada figura um momento único na história desse ente.

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Não há duas figuras iguais, não há dois entes iguais, não há dois momentos iguais.

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Porém as figuras não são realidades autossuficientes que existam por si mesmas. Mas prodígios do arranjo de espelhos que compõe o caleidoscópio.

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Alegria e tristeza, prazer e dor, vitória e derrota, e tantos outros pares contraditórios são figuras que o arranjo de espelhos produz e o giro do tubo revoga. Configurações e reconfigurações no jogo interminável de Maia.

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Tudo passa. Exceto o caleidoscópio e o olho que o observa: Shakti e Shiva, em seu flerte metacósmico.

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Até que a Criança Divina se canse da brincadeira e atire o caleidoscópio no cesto dos brinquedos descartados.

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