A fala

Nascer do Sol 2

*

Para M.

*

Sobre a clareza das coisas

*

Eu gosto quando você me olha,

deixando que eu olhe os seus olhos,

e os seus olhos são os olhos

do astrônomo que olha estrelas.

*

Eu gosto quando você abre os lábios,

deixando nascer um sorriso,

e o seu sorriso é o sorriso

que não diz nada além de “eu sou”.

*

Eu gosto quando você me toca,

deixando-me saber de suas mãos,

e suas mãos são as mãos

da mulher que Rosseti pintou.

*

Eu gosto quando você fica ao lado,

deixando-se estar em silêncio,

e sua presença é só presença,

e seu silêncio, silêncio.

*

Sobre o mistério das coisas

*

Quando olhei você no rosto,

havia abismos em seus olhos e nuvens em seu sorriso.

Em sua expressão, um labirinto

de desejos obscuros.

*

Quando suas mãos tocaram minhas mãos,

confundiram-me os sentidos.

Dizia-me “sim” a esquerda,

mas a direita, “talvez”.

*

Quando ficamos enfim frente a frente,

não soube encontrar o seu fio,

não soube abrir a sua porta,

no soube decifrar os seus signos.

*

Sobre as coisas novamente desveladas

*

Eu disse que a amava,

você me disse “também”:

o chocolate esfriava em sua xícara,

um rock dilacerava o tempo,

chovia sobre a cidade.

*

Nota

Este foi o primeiro poema que escrevi para ela, em 1982. A foto, dela, é de 2015. O clima é o mesmo.

*

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1 comentário

  1. Marcia

     /  18 de novembro de 2016

    Quando tocado pela Luz do Amor o “clima” é eterno. Como, quando e sempre

    Responder

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