O Eu e seus “representantes”

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Shivalingam

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As 23 proposições seguintes conjugam elementos aurobindianos (Aurobindo) e elementos akbarianos (Ibn Árabi), que parecem dialogar perfeitamente. Não devem ser lidas como uma descrição rigorosa, mas como uma narrativa apenas alusiva. Os termos técnicos são definidos no próprio texto. Porém, uma compreensão mais aprofundada pode ser favorecida pela leitura dos textos sugeridos no final.

  1. Parashiva/Parabrahman (Realidade Absoluta) manifesta-se como Paramatman (Supremo Eu).
  2. Paramatman é o Existente, o Consciente, o Beatífico (Satchidananda).
  3. Sem um outro, sem limites externos, sem divisões internas, o Paramatman engloba, como um potencial indiferenciado, todos os Atributos Divinos.
  4. E os diferencia, projetando de si mesmo infinitos raios.
  5. Cada raio é um Nome Divino, que expressa o correspondente Atributo.
  6. Cada raio (Nome) produz (ou manifesta-se como) um Jivatman (Eu Individual).
  7. Todos os Jivatma são Paramatman, mas cada qual o manifesta segundo um determinado “ângulo”.
  8. Por isso, embora todos os Jivatma sejam o Mesmo, cada qual expressa esse Mesmo de modo absolutamente singular.
  9. De forma alegórica, poderíamos representar o Paramatman como um grande salão, feericamente iluminado, dotado de infinitas janelas (Jivatma). Cada janela nos possibilita contemplar o salão, mas segundo um certo ponto de vista.
  10. Para que o Absoluto efetive todo o seu Potencial e concretize todos os seus Atributos, de modo a manifestar seu Mistério para si mesmo, é preciso que cada Jivatman produza e reja, em cada plano da Manifestação, uma expressão da Qualidade que lhe é inerente.
  11. As várias expressões do mesmo Jivatman são aperfeiçoadas pela Evolução. E sintetizadas em um Ente completo, multinivelado e integrado.
  12. Cada Ente é o próprio Absoluto, mas o Absoluto enquadrado pelo Nome particular que rege o respectivo Ente. Nos termos de nossa alegoria, o Ente pode contemplar o salão iluminado, mas somente a partir da janela que lhe cabe.
  13. Tal processo, que explica “quem somos nós” e “o que estamos fazendo aqui”, ainda não se completou no ambiente terrestre (aliás, não sabemos se ele deverá permanecer confinado ao ambiente terrestre).
  14. É importante dizer que o Jivatman não desce aos vários planos da Manifestação.
  15. Ele permanece acima, como um Arquétipo Eterno.
  16. Não nasce, não morre, não evolui. Os acertos do Ente que ele rege não lhe trazem mérito nem o fazem melhorar, os erros do Ente que ele rege não lhe trazem demérito nem o fazem piorar. Infenso às flutuações da Manifestação, ele permanece imutável, impassível, impecável. Não se aperfeiçoa, porque já é, em sua particularidade, uma expressão perfeita do Paramatman.
  17. Mas, para que sua Qualidade singular se expresse na Manifestação, ele precisa enviar um “representante” de si mesmo a cada plano. Cada “representante” codifica, na “substância” específica do plano que lhe compete, a Qualidade eterna do Jivatman.
  18. E o “representante-mor” é a Centelha da Alma, que sustenta e promove a evolução do conjugado físico-vital-mental e aspira e trabalha pela descida do SobrementalSupramental.
  19. A “Semente” ou “Centelha da Alma” transporta a Individualidade de vida em vida. E, ao longo das sucessivas encarnações, configura em torno de si um Campo ou Ente Psíquico.
  20. Constituído por uma “substância” sutilíssima, consciente e ativa, o “Ente Psíquico” atua, cresce e evolui, vida após vida.
  21. As experiências da vida (pensamentos, palavras e ações) imprimem nele suas marcas (samskaras) e definem nele tendências (vasanas).
  22. Samskaras e vasanas condicionam a trajetória do Ente Psíquico, e, por decorrência, do Ente Completo (ou em busca de completude). Mas é preciso que o Ente os supere, para ser, cada vez mais, uma expressão fiel do imaculado Jivatman, e não um emaranhado de traumas e complexos.
  23. Tal sequência transcende as ilusões da contingência e do absurdo. Por trás da aparência gratuita e fortuita dos eventos, há necessidade e sentido.

 

Leituras sugeridas:

A realidade absoluta e suas manifestações primordiais

https://josetadeuarantes.wordpress.com/2012/02/16/a-realidade-absoluta-e-suas-manifestacoes-primordiais/

O filho arquetípico e seu poder medicinal

https://josetadeuarantes.wordpress.com/2012/03/06/o-filho-arquetipico-e-seu-poder-medicinal/

Cismas de um caminhante solitário…

https://josetadeuarantes.wordpress.com/2014/06/16/cismas-de-um-caminhante-solitario-na-praia-do-mar-da-unidade-conversando-com-suas-proprias-pegadas-na-areia/

 

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