O mar

Paul Cézanne: O golfo de Marseille visto de L'Estaque (1878-1879)

Paul Cézanne: O golfo de Marseille visto de L’Estaque (1878-1879)

Ouço o rumor do mar –

Troar de trovão abafado.

Insones, eu e o mar,

Vigiamos o sono do mundo.

*

Mas o que sei eu do mar?

Sei que é profundo.

E dissolve o sal dos séculos

Na espuma do instante.

*

Agrada-me pensar que esse mar

Encontrou outrora outro insone.

E juntos, o insone e o mar,

Vigiaram a noite dos homens.

*

É outro ou sou eu esse outro

Que imagino em praia distante?

Penso. E o pensar consente

Que eu consinta pensar assim.

*

Mas – ó pensador inconsequente –

O que sei eu de mim?

————————————————————————————————————————————————————

Nota

Um ou dois versos deste poema me soam tão familiares que acredito ter lido alguma coisa parecida não lembro onde. Talvez em Fernando Pessoa ou Cecília Meireles. Mas a ideia original me ocorreu bem antes disso, na adolescência. Depois do tsunami de 2004, esse clima de cumplicidade entre o homem e o mar já não tem para mim o mesmo apelo.

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