Sessenta e Quatro

Os 64 Hexagramas do I Ching

Os 64 Hexagramas do I Ching

 

“Aquele que conhece a si mesmo conhece o seu Senhor” (Muhammad)

“Não faças de ti um sonho a realizar. Vai” (Cecília Meireles)

 

Ibn Árabi, o grande mestre sufi, escreveu: “(…) Deus é muito grande, muito sublime, para que possamos conhecê-lo em Si Mesmo. Mas podemos, por outro lado, conhecê-lo nas coisas (…) Com efeito, as coisas são, em relação a Deus, como véus; quando elas desaparecem, o que está atrás se desvela (…) Porém, não podemos conhecer Deus nas coisas senão pela manifestação das coisas e a desaparição de seu estatuto. Os olhos do homem comum se detêm sobre o estatuto das coisas, enquanto que aqueles que obtêm a iluminação do desvelamento não vêm nas coisas senão Deus (…)”.

 

Segundo o místico, cada coisa está sob a autoridade de um Nome Divino, que é seu rabb, Senhor Próprio, e do qual ela é o local epifânico, o espaço de manifestação. Por meio do autoconhecimento, cada ente humano pode alcançar o Nome, único e intrasferível, que o rege, conforme o dito “Aquele que conhece a si mesmo conhece o seu Senhor”. E esse Nome é a senha de acesso à Face que lhe cabe expressar e ao Atributo que lhe cabe realizar. Como afirmou Foucault, e eu amo repetir, “trata-se chegar a ser o que realmente se é”.

 

Nos últimos dias, na iminência completar 64 anos, eu me perguntei com insistência se tenho sido fiel ao meu Nome ou se me perdi nos descaminhos do mundo.

 

Há muito tempo, um sonho me trouxe a sentença “Mantém a Tradição que a Inspiração virá”, atribuída no contexto onírico ao Profeta Muhammad, com a orientação de que me cabia escrevê-la, “com letras de ouro”, na porta de uma antiga confraria espiritual, em nova etapa de sua existência.

 

Nestes anos todos, às vezes deliberadamente, às vezes premido pelas circunstâncias, tenho buscado a Tradição e me empenhado em comunicá-la. Lampejos de Inspiração eventualmente me ocorrem. Não seriam estes indícios provas suficientes de que estou cumprindo o meu desígnio?

 

Mas, se estou no caminho que me cabe trilhar, por que o desassossego que me aflige de tempos em tempos? Tal pergunta me fez reler, uma vez mais, esta passagem luminosa de Rumi:

 

“Existe no homem uma dor, um amor, uma inquietude, um apelo, que, mesmo se houvesse cem mil universos, não encontrariam calma e repouso.

As pessoas exercem todos os tipos de profissão, fazem todos os tipos de estudos, mas não encontram o contentamento, pois seu objetivo jamais é alcançado.

Chama-se o Bem Amado de “Repouso da Alma”. E como seria possível, senão nele, encontrar ancoragem?

Todos os objetivos e prazeres são como uma escada. Cada degrau não é um lugar de repouso, mas uma passagem.

Bem-aventurado aquele que acorda cedo, para encurtar o longo caminho, sem perder sua vida tropeçando nos degraus”.

 

Porém – refleti – o apelo não vem de fora. E o ir não é ir a lugar algum. Pois aonde mais se poderia ir? O apelo me chama para dentro, onde, no coração, me aguarda o Nome. E para cima, cada vez mais alto, rumo ao Inominável.

 

Minúsculos lampejos, efêmeros como partículas de poeira rebrilhando ao sol, confirmaram meu raciocínio. Está tudo certo. Sigo em frente.

As oito Grandes Mães. Cada qual se desdobra em oito Shaktis, dando origem às 64 Ioguines.

As oito Grandes Mães. Cada qual se desdobra em oito Shaktis, dando origem às 64 Ioguines.

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1 comentário

  1. Olá, colega. Se isso ajuda: saiba que não é o único. Não somos. Bom, às vezes penso que essa “procura irrefletida” não passa de um desejo velado de morte, ou, se preferir, de encontro.
    Se estamos presos no presente, é porque temos. E se temos, é porque SOMOS.
    Sou aquele de quem preciso.

    Responder

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