Lago silente

caderno-2009-10

JTA: desenho, caneta hidrográfica sobre papel, 2009.

 

Lago silente,

Mais antigo que o século, e iniciante,

Profundidade imóvel, superfície movente,

Corpo cristalino que o abismo escurece.

*

A flor mais bela,

Que viceja em sua margem, murcha e fenece.

Mas ele permanece igual, imortal testemunha,

Que a areia não turva nem a hora envelhece.

*

Na ilha que se abriga em seu seio,

Existe um refúgio.

E, nesse ermo, o solo macio

Oferece assento.

*

Infenso aos ruídos do tempo,

Ó buscador, senta-te nele, sente o silêncio.

Toma na mão a pedra e seus signos,

Antigos enigmas, hierática linguagem de pássaros.

*

Aquieta teu sopro,

Cultiva, paciente, a paciência.

E a sólida luz, que procede do alto,

Te fará a cabeça.

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